26.1.09

A pornógrafa do Messias

Sabe aqueles dias em que você não tem nada pra fazer e fica olhando a internet para mostrar aos outros que você está trabalhando. Pois é, preferi sair e pagar as contas no banco do que ficar atualizando o e-mail para ver se chegou um recado novo. Pensei... já que estou na Brigadeiro vou até o sebo Messias, onde geralmente se perdem algumas horas. O sebo Messias é divino, porque é bagunçado, você nunca acha nada (até porque quem quer achar um livro, vai numa livraria) e a poeira encobre os títulos.

Entrei e fui logo perguntando: Onde estão os livros que falam de cinema. O rapaz sem me olhar disse "no segundo andar".

Subi as escadas e fiquei olhando as prateleiras. Peguei um livro, olhei outro. Do andar em que eu estava dava para ver a porta. Eis que surge uma mulher, baixinha, gorda, de óculos e sem pescoço (detalhe, sem pescoço mesmo, era um defeito físico). Pensei com os meus botões e com um certo grau de preconceito que ela era "um desses ratos" de sebo que tivera todo tempo do mundo para se dedicar à literatura, à ciência... Sei lá, pensei até que era uma intelectual uspiana e que por conta do defeito físico (e é aí o preconceito) sua vida fora dedicada aos estudos e não ao sexo, às drogas e ao rock roll de sua geração.

"A sem pescoço" falou algo com o mesmo rapaz que tinha me atendido, ela olhou para cima e foi subindo as escadas.

Nesse momento, tive a certeza de que ela tinha lido os meus pensamentos e que vinha tirar satifastação. Depois pensei que a sua vida academica apenas iria parar na parte de literatura universal que ficava também no segundo andar.

Ela atravessou todo o comodo e foi direto para uma enorme prateleira com filmes pornográficos. Tirou uma sacola e começou a olhar fita por fita (ela deve ter um vídeo cassete e não DVD). Colocou uma na sacola, outra e mais outra. Mulher com Mulher, trinta homens com uma mulher, papai, mamãe, oral, anal.... Eu observando pela prateleira do cinema. Sua sacola foi ficando cheia.

E eu que sempre tive vergonha de comprar até Plaboy na banca, percebi que a intectual-uspiana-sem-pescoço não tinha.

Saí do sebo depois dela sem comprar nada. Subi a Brigadeiro sentido a praça João Mendes e de repente me deparo com ela novamente, parada em frente a um boteco. Passei por ela e a escutei gritar pro rapaz do boteco: "Me vê um churrasco grego!"

Um comentário:

Ada disse...

Hahahah..um belo cronista você! Gostei muito! Estou te seguindo... Abraços