21.5.09

Quando o amor acontece

Às vezes é sexo, às vezes é companheirismo, mas os casais têm inúmeros motivos para se acasalar. Norma se apaixonou por Beto ainda na universidade porque ele era o cara mais inteligente da turma. Carlos se apaixonou por Raquel pelo sexo, na primeira trepada descobriu que não viveria sem ela. Odair casou com Guta porque os dois gostavam de Woody Allen. Lauro mora com Bob. Mara vive há dois anos, e muito feliz, com Stela.
Dega descobriu a mulher da sua vida às 4 da matina, no centro de São Paulo.
Ele, Belinha e dois amigos, Felipão e Asdrubal, saíram do samba dos Inimigos do Batente, no espaço CUCA da UNE, que ficava na Barra Funda, bem tarde. Depois de várias cervas a fome pediu passagem.
Com aquele sotaque de carioca, Felipão disse no carro: Bixo, vamos tomar mais uminha e comer um pernil no Estadão? Asdrubal olhou com uma cara de felicidade e respondeu sua grande frase de uma palavra só: - Boa!
Dega olhou para Belinha e pensou que ela não fosse topar, afinal, já eram quatro da manhã. Mas, para a sua surpresa ela disse que sim, só não iria mais beber, apenas comer uma "coisinha" para forrar o estômago.
Chegaram ao Estadão e diante do Amaral, um senhor que há anos prepara os lanches de pernil, Felipão mudou de ideia. Ao invés do tradicional lanche, ele falou pro pessoal que ia pedir uma feijoada. Dega logo pensou: “Como? Feijoada, às 4?” Asdrubal de prontidão disse que topava.
- O chefe, uma feijoada dá pra dois?, perguntou Felipão. O garçon respondeu que sim.
De repente outra surpresa. Belinha virou para Dega e disse:
- Vamos dividir uma também?
Dega, feliz da vida não perdeu tempo,
- O Chefe, vê mais uma pra gente.
Mas, de todas as surpresas, a maior de todas ainda estava por vir. Sem nenhuma cerimônia e com toda a naturalidade, Belinha chegou ao balcão e reforçou o pedido ao garçom.
- Por favor, no meu prato o senhor acrescenta dois ovos mal-passados, pode ser?
Dega olhou impressionado para Asdrubal e Felipão e, naquele momento teve a certeza de que estava diante da mulher da sua vida.

Um comentário:

Miguel Assis disse...
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